A competição – agon – constitui uma das categorias fundamentais do comportamento lúdico, e que, segundo R. Cailloix, está na essência da maioria das formas de cultura. Competimos no mundo dos negócios e do trabalho, na procura de parceiros para o sexo, na defesa de ideologias políticas e religiosas, na guerra diplomática ou convencional (voltou à moda) e na superação da criatividade nas artes. Entretanto, é na cultura dos jogos corporais e no esporte que a competição se evidencia fortemente normatizada e aparentemente civilizada, apesar de manter evidentes alguns traços originais de rituais de culto religioso, de domínio da natureza, da conquista de territórios e da destruição de rivais. Em particular o esporte tornou-se a cultura moderna mais globalizada e espetacularizada, o que contribuiu para o furto de sua essência lúdica, substituída pelos valores do rendimento funcional e do trabalho moderno. Esse mesmo processo, em dimensões reduzidas, também afeta outras artes corporais – dança, mímica, teatro - que, gradativamente excluem os corpos comuns destituídos de talento, transformando-os em praticantes virtuais e simples consumidores de espetáculos. A ginástica, que desde as origens nunca negou sua origem militaresca e sempre manteve um grande desprezo pela ludicização do movimento corporal, inclui-se dentre as práticas que ainda cultuam a competição corporal para a busca frenética de modelos de saúde, rejuvenescimento e estética, muitos vezes ilusionistas para o disfarce do consumo de produtos e modismos.
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