Mimicry é outra das categorias fundamentais do Jogo. Segundo R. Cailloix, ela é a origem do comportamento de imitação-mimese, destinado a satisfazer o desejo de fantasia, imaginação e ilusão. Esse comportamento aparece na fase de estruturação do pensamento simbólico (a partir dos 2/3 anos aproximadamente, segundo J. Piaget), e permeia os jogos tradicionais de dramatização infantil chegando às atividades clássicas da dança expressiva, da mímica, do cinema e do teatro, por exemplos. Situamos aqui também o esporte moderno cujo espetáculo, segundo A .Figueroa, é uma espécie de teatro integral, que reúne elementos da dança, da mímica, do teatro, que preserva rituais de culto guerreiro e religioso, e que projeta socialmente, com velocidade e vigor, os mitos e super-heróis da modernidade. O corpo está extraordinariamente espetacularizado nas culturas do esporte, teatro cinema e cada vez mais agressivamente veiculado como produto mercantil na TV e publicidade modernas.
Esse corpo espetáculo foi transformado numa espécie de brinquedo moderno que projeta vigorosamente valores da juventude, riqueza, beleza, saúde, felicidade erotismo e ludicidade. Essa perigosa relação nos transforma apenas em espectadores e praticantes virtuais de vários tipos de cultura, inclusive a corporal, num jogo em que jamais venceremos e no qual não nos é permitido conhecer e construir as regras que permitam ao nosso corpo o direito de brincar com nossos próprios desejos e dentro de nossos limites.
O grande desafio aqui presente é a educação para o consumo dos valores e das atividades do corpo reduzido a um brinquedo e do corpo travestido de espetáculo. Para isso é necessário desenvolver uma legítima qualidade do brincar de assistir, do aprender para brincar para descobrir o verdadeiro prazer do movimento do seu próprio corpo. Somente dessa forma poderemos desvendar os bastidores dos admiráveis espetáculos do corpo e desnudar a máscara dos mitos corporais, que tanto nos fascinam e nos afligem.
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