O corpo humano integra as dimensões da materialidade – ossos, músculos, hormônios, fezes, sangue…, e da imaterialidade – emoções, criatividade, loucura, ludicidade… Historicamente a cultura e a educação desprezaram, por ignorância, preconceito ou crueldade, essa unicidade corporal. Trataram predominantemente o corpo como um abrigo da nobre mente, ou como uma máquina, um objeto a ser educado e treinado para ser mais forte, mais alto, mais veloz, mais belo, mais jovem, mais saudável e até mesmo mais lúdico e feliz.
No esforço de combater esse dualismo, alguns educadores e animadores culturais, principalmente aqueles que atuam com o desenvolvimento da criança, apostaram na importância do resgate do lúdico, se opondo as correntes de pensamento, que rebaixavam o jogo à categoria das atividades fúteis, gratuitas, inúteis e, passíveis de serem aprendidas naturalmente, sem uma intervenção educacional. Muitos passaram a acreditar na eficiência instrumental do lúdico para o desenvolvimento da inteligência, da linguagem e da motricidade humana, mediante o resgate e a inclusão no processo educacional da essência lúdica original das diversas culturas do lazer, tais como o esporte, os jogos tradicionais, a dança, o turismo, a literatura, as artes dramáticas e visuais. Alguns, mais românticos e utópicos, chegaram a acreditar que o comportamento lúdico transcende o lazer e permeia fortemente outros arquétipos socioculturais, tais como a guerra, a religião, a política, os negócios, a vida amorosa, dentre outros.
Solidário a esse grupo de educadores e animadores culturais, aponto alguns desafios predominantes que estão presentes no contexto presente e futuro de programas que objetivam a resgatar o lúdico para o desenvolvimento corporal.
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